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powered by blogger Quarta-feira, Julho 23, 2008

{Quarta-feira, Julho 23, 2008}

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NOSSA VIDA, NOSSOS AMORES

Enquanto a noite se esvai, no limiar do horizonte, surgem os primeiros raios avermelhados, prenuncio de um novo dia.
Essa noite quantos de nós não passou em brancas nuvens. O sono que não veio o trabalho que não acaba as complicações da vida, as incoerências, as incompreensões, os mal-entendidos, os desamores, o amor dado e desperdiçado pela insensatez das palavras proferidas, entre outros.
Qual o caminho mais curto para a felicidade? Quebrar todas as barreiras, mesmo sacrificando outrem em beneficio próprio; ou ponderar e aguardar o alargamento da estrada para uma nova vida? Eu escolho a segunda opção.
O amor maior que podemos sentir é por certo, o que sentimos por nós mesmos, amar o outro é uma conseqüência desse gostar de nós. É necessário saber trilhar o que traçamos como objetivo para a nossa vida; podemos cruzar o caminho do outro, caminhar em lados opostos ou seguirmos lado a lado em caminhos paralelos.
O antagonismo entre as palavras simplicidade e felicidade, comungam em prol do significado da palavra amor. Não devemos esquecer que, “há dias em que a chuva cai”, o verde aparece nos campos, ai vem o sol e faz fenecer esse verde da natureza, assim como, a plenitude da vida.
Cuide do amor para que este não chegue ao fim, antes do sol que virá para todos.

Rio, 23 de julho de 2008.
Feitosa dos Santos

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 10:36 PM

Sábado, Julho 05, 2008

{Sábado, Julho 05, 2008}

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UMA VISÃO ALÉM DA VIDA

Era terça feira, em uma tarde de outono e o sol escorregava lentamente em direção aos picos da serra, lugar em que sempre se escondia nessa época do ano. Alguns pássaros já voavam em direção ao cerrado donde costumavam pernoitar e alimentar os filhotes, que saídos dos ninhos, aguardavam ansiosos a última refeição do dia.
Alheio a tudo isso, Rafael subia lentamente a pequena ladeira que ia dar na casa em que se guardavam as tralhas e os aparatos de trabalhos da pequena fazenda da família. Com a chave da porta, o que Rafael buscava era uma bicicleta muito antiga que servia para o seu pai ir ao trabalho na Prefeitura da pequena cidade, na qual era fiscal de postura do Município. Rafael era ainda criança e não sabia montar em uma bicicleta, mas tinha vontade e muita curiosidade, como qualquer criança de onze anos de idade. O veículo estava trancado por uma corrente e um cadeado, cuja chave ficava na casa grande, em uma gaveta da mesa de quarto de seus pais e que sem sombra de dúvidas, ele já havia pegado para a execução de seu plano: aprender a conduzir essa geringonça sobre duas rosas.
Abrindo cuidadosamente a porta da “casa dispensa”, destrancando o cadeado e retirando a corrente que prendia a roda, Rafael suspirou de alivio, por ver que seu plano estava dando certo e que agora, pouco faltava, para experimentar a sensação do vento sobre o seu rosto, livre, leve e solto, como muitos adolescentes faziam, quando iam à cidade e alugavam uma bicicleta, para rodar por todas as ruas ou ainda, no pequeno campo de aviação, sobre uma pista de terra batida, na qual alguns pequenos monomotores (teco-tecos), se aventuravam, transportando alguns políticos, nascidos na região, mas que viviam na capital.
O menino sabia que seu pai chegaria bem mais tarde, pois havia ido a uma cidade do agreste, distante seis léguas e que ele sempre se atrasava, logo ainda teria umas três horas para tentar aprender a pedalar bicicleta, depois retornar e guarda-la no mesmo lugar, para que seu pai não desconfiasse e para que nada desse errado, porque ele sairia na quarta feira cedinho para o serviço de fiscalização da Prefeitura.
Retirou cautelosamente o novo brinquedo e pôs-se a empurrá-lo ladeira acima até atingir o pico da subida, ali começava uma estrada plana, que levava a uma cidade que distava cerca de uma légua do ponto final de quem subia e ponto inicial para quem ia descer a serra. Ao atingir esse ponto, muito cansado e ofegante, ele parou, suspirou fundo e com a sensação de quem vencia a primeira batalha, olhou por cima do nariz, por sobre os montes, empunhou a bicicleta e fez sua primeira tentativa em alçar carreira sobre duas rodas. Porém logo percebeu não ser tão fácil à façanha de andar sobre duas rodas. Nessa primeira tentativa, não conseguiu locomover-se dois metros do local de partida. Olhava na direção que queria ir, mas o guidom de controle direcional ia para outro lado e por algumas vezes o pneu dianteiro penetrava por entre as touceiras de agave (sisal), levando-o a um novo tombo. Muito suado e com alguns arranhões, entretanto, com grande vontade de atingir seu objetivo, em tempo algum se deu por vencido.
Como a um relógio, olhava sempre em direção ao sol, que determinava seu ponto de parada e retorno, para guardar o que agora achava ser seu mais novo brinquedo. Novas tentativas foram feitas e a cada uma delas, ganhava mais controle no aprendizado e começava a domar seu cavalo de ferro, porque o animal cavalo já o havia domesticado e o dominava como ninguém. Montava em seu dorso, no pelo ou selado, era assim que ia para a escola todos os dias pela manhã.
Havia se passado cerca de duas horas, pois o sol já escondia sua metade por trás do monte, sempre no mesmo lugar aonde se escondia de todos, dando lugar à noite e adeus à criançada, que o aguardavam com ansiedade para as novas brincadeiras do dia seguinte.
Rafael quase realizado com o seu aprendizado montou sobre a bicicleta e conseguiu traze-la até o inicio da descida, na cabeça da ladeira, foram cerca de quinhentos metros de aprendizado. Parou o veículo e com um olhar orgulhoso por seu feito, começou a descer o monte, segurando a bicicleta pelo guidom e apertando o freio, até alcançar a “casa dispensa”, onde a repôs no mesmo lugar, sem nenhuma alteração para que seu pai não viesse desconfiar de sua estripulia. Passou a corrente, pôs o cadeado, colocou a chave no bolso e alegre e fagueiro caminhou em direção a casa grande. Ao cruzar um riacho, parou no entorno da cacimba, lugar aonde a garotada se reunia sempre a boquinha da noite, para conversar; retirou os chinelos, lavou os pés e o rosto, conversou com alguns amigos que iam ao rio tomar banho, no famoso poço dos cavalos, uma área do rio Camará bastante arenosa e de boa profundidade. Era ali que se lavavam os cavalos após um dia de trabalho, por isso o nome. Rafael, porém, não gostava de freqüentar esse lugar pelo forte cheiro de vinhoto. Vinhoto este, que era despejado pelos engenhos que margeavam o leito do rio.
Despediu-se dos amigos e continuou sua caminhada para casa, seguiu a trilha que ia por entre o bananal, subiu um bom pedaço de lanceada, até chegar ao terreiro (área externa) da casa grande. Sua mãe o aguardava sentada em uma cadeira à varanda da frente. Esta lhe pergunta: onde esteve a tarde toda? Ele responde com palavras entrecortadas, que nada diziam e adentra pela porta da sala, indo até o quarto de seus pais para repor a chave do cadeado na gaveta, tal como havia retirado. Ao colocar a mão no bolso, tamanha foi à surpresa, a mesma não fora encontrada, surpresa maior foi ver que o bolso estava furado e que por certo a chave havia escapado pelo furo e caído em algum lugar.
Rafael ficou muito desolado, já estava escuro e por certo não a encontraria, pois já começava a escurecer. Como fazer? Seu pai sairia pela manhã cedinho para o trabalho e como lhe falar do acontecido? Ele havia feito algo sem a anuência do pai e não poderia adivinhar qual seria sua reação. Apesar da hora avançada, saiu à procura pelo mesmo caminho que voltou, mas estava muito escuro e não enxergava quase nada. Retornou para casa remoendo em pensamentos o acontecido e esperando o retorno do pai que não tardaria mais em chegar.
A um pedido da mãe foi banhar-se e nesse ínterim chegara seu pai da enfadonha viagem na labuta do dia-a-dia, pois havia ido comprar mercadorias para a bodega (armazém de secos e molhados); na cidade de costume. Após um ligeiro descanso de seu pai, o jantar fora posto à mesa, todos sentaram e puseram-se a servir. Falaram do seu dia, dos feitos e não feitos; apenas Rafael permanecera calado, embora fosse um dos que mais falava nessas oportunidades. Talvez pelo cansaço que envolvia o corpo de seu pai, este nada perguntou ao desolado menino.
Rafael dirigiu-se para o seu quarto enquanto seus irmãos brincavam até à hora em que sua mãe lhes recomendava ir dormir. O garoto tinha muita fé e sempre foi devoto da Virgem do Perpetuo Socorro. Em seus aposentos, orou muito diante da imagem da santa, pedindo para que ela lhe mostrasse em sonho, onde a chave havia caído, ele precisava encontrá-la para que seu pai pudesse ir trabalhar na manhã seguinte. E ainda para que ele não desconfiasse de seu feito e não perdesse a confiança que lhe havia depositado, pois era assim que dizia para os amigos sempre que conversava sobre seus filhos: “tenho muita confiança neste garoto”. Rafael prometera a si mesmo, que nada mais faria escondido e que não falaria a ninguém desse acontecido. Depois de muito conversar em frente da imagem da Virgem, o cansaço o venceu e este caiu por sobre a cama em um profundo sono, daqueles que costumamos dizer dos nossos filhos: “estão nos braços dos anjos”. E foi o que aconteceu com o garoto Rafael naquela noite de outono.
Ele sonhou como se acordado estivesse, com um belo e claro dia, a brisa soprando de manso sobre a ramagem dos cajueiros, e com intensa claridade, caminhava pela estrada, contemplava toda essa beleza como se estivesse ali ao vivo e a cores. Refez todo o caminho que havia percorrido no inicio da noite, até parar embaixo de um pé de cajueiro que ficava a margem da estrada, sob este, um lajedo de pedras porosas formando fendas e em uma delas, pode ver a chave caída e presa ao pequeno pedaço de barbante que a prendia. Olhou para a chave, olhou para a “casa de dispensa”, a uns vinte metros apenas da porta de entrada, olhou ao seu redor, como se para atestar que não havia ninguém a espreitar o seu ato de apanhar o objeto que tanto desejou não haver perdido. Ao inclinar-se para apanhar a chave, Rafael acordou, e pela fresta da janela obeservou uma tênue claridade do alvorecer e deduziu ser em torno de cinco horas da matina. Os galos carijós entoavam seus cantos matinais, sinalizando para o homem do campo que o dia vinha vindo e era convidativo a uma nova batalha. Ele não pensou duas vezes, levantou-se e com a certeza do acontecido, ainda vivo em sua mente de criança, caminhou sem perder tempo, sem procurar em outro lugar, porque tinha certeza de que o objeto perdido estaria no ponto indicado pelo sonho, se é que aquela visão foi um sonho. E com tamanha alegria, porém sem surpresa, lá estava à chave, no mesmo cantinho aonde a tinha visto durante sua visão; entre uma pedra e outra, embaixo do cajueiro, presa ao pequeno pedaço de barbante. Era inacreditável o que vivenciava Rafael nesse momento. Ninguém jamais encontraria uma chave tão pequena naquele local apenas por sua iniciativa de busca, se algo fenomenal como o sonho, não houvesse apontado para o devido lugar. Nada nem ninguém afastariam da mente dessa criança, o milagre que acabava de vivenciar. Somente a Virgem do Perpétuo Socorro poderia mostrar com tanta clareza o local onde aquela chave foi cair.
Rafael apressou-se em retornar para casa e colocar a chave no local de onde tirara. Esperou o momento em que seu pai estiva tomando seu café. E assim foi feito, sem que ninguém percebesse o ocorrido.
Tudo transcorreu como Rafael havia planejado, sem que ninguém se apercebesse de nada, seus pais, seus irmãos, assim como, sua tia, irmã de seu pai, que também morava com a família.
Ele carregou este segredo por toda sua infância, adolescência e uma boa parte de sua vida adulta. Somente trinta anos depois do ocorrido, quando já beirava os 42 anos de idade, foi que sentiu uma necessidade de falar o que ocorrera quando este tinha apenas onze anos de idade. Como nesta época residia longe de seus pais, então, aguardou a oportunidade de sair em férias e visitar sua família, para relatar o sonho que tivera naquela noite de outono, após as tentativas de aprendizado com a bicicleta, que servia para transportar seu pai até a prefeitura da cidade aonde ele trabalhava.
Naquela visita, Rafael se dispôs a falar todo o ocorrido. Ele também já era pai de dois lindos filhos, o mais velho com nove anos e o mais novo com seis anos e meio. Toda a família se encontrava sentada em frente à nova casa grande, que havia sido construída a bem pouco tempo e o patrocinador dessa construção, foi o próprio Rafael, como um presente para seus pais, pois sem dúvida lhes proporcionava um melhor conforto, mais espaço e, em um local de melhor acesso.
Rafael sentou-se em frente ao seu pai e começou sua narrativa, contando todo o episódio, deste o instante da retirada da bicicleta até o momento em que se levantou pela manhã, naquela quarta feira, após seu pedido a Virgem do Perpétuo Socorro e a visão que tivera. Seu pai ficara estarrecido com a narrativa de seu filho, e lhe falou: - isso só pode ter sido um milagre. Jamais alguém encontraria essa chave, mesmo que a procurasse com muito cuidado, era muito pequena e estava presa a um pequeno pedaço de barbante. A Virgem atendeu ao seu pedido filho e isso para mim configura-se milagre. Não compreendo por que só agora você se dispôs a contar? Rafael lhe responde com bastante cautela, que havia prometido para si mesmo não revelar para ninguém até que sentisse essa necessidade e se não sentisse, levaria consigo para a eternidade. Porém agora se sentia pronto para revelar essa verdade. A virgem do Perpétuo Socorro lhe havia proporcionado esta graça quando criança e que em muitas outras ocasiões lhe havia propiciado novas dádivas. Esta jamais deixaria de ser sua protetora e guia nos caminhos de sua vida.
Nessa ocasião consolidou a idéia de construir naquele local, uma pequena capela, em homenagem a Virgem do Perpétuo Socorro. Em outubro de 2002, uma imagem da Virgem vinda de Portugal com a qual Rafael foi presenteado, por amigos portugueses, que residiam na mesma cidade em que este morava. Esta será o símbolo de sua fé na pequena Capela a ser erguida.
Seus pais já não se encontram neste mundo, mas a idéia de execução da obra começa a se tornar realidade, como gratidão ao seu pedido em criança, nesse fato que o mesmo não consegue decifrar se fora um sonho, uma visão ou o mais notável milagre, desses que só na pureza de uma criança pode vir acontecer.
E assim, este verídico fato foi narrado por Rafael. Uma história vivida intensamente durante todos esses anos e que só poderia ser escrita, por quem vivenciou o milagre, dentre os grandes milagres da vida. Se formos, é porque existimos, se escrevemos é porque de certa forma vivenciamos o acaso. Que a paz da Virgem do Perpétuo Socorro, esteja sempre ao nosso alcance.

Rio, 28 de maio de 2008.
Feitosa dos Santos
posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 3:23 PM

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